Na segunda-feira 14 de outubro completam-se dois (2) meses da investida da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) na moradia estudantil que tentou colocar em prática um projeto historicamente polêmico entre os moradores: a instalação de grades para o controle de acesso. A ação, nos blocos F e G, pegou de surpresa os moradores, que não foram consultados, e desencadeou um processo de mobilização (veja a edição #13 do BoletIME).
De lá para cá, tivemos os atos vigílias em frente aos blocos F e G - que não estão mais ocorrendo -, a construção do I Seminário de Segurança do CRUSP e o encaminhamento da construção de uma campanha de conscientização contra as grades e do plebiscito - que ainda não foi posto em prática. Essas atividades foram realizadas pela AMORCRUSP com amplo chamado aos moradores do conjunto residencial, mas também com a participação de representantes dos centros acadêmicos (como o CAMat, CEFISMA e CAFavo 22) e beneficiários PAPFE, que não possuem vaga na moradia. Ainda sem conclusão, a ordem de instalação segue suspensa até o resultado do plebiscito ou até nova investida da PRIP, e é bem-vinda formulações e propostas dos estudantes sobre esse tema. No BoletIME passado, há um estudo relacionando o gasto das grades com possíveis gastos de melhoria da infraestrutura, será se podemos usar os dados fornecidos pela USP e realizar algum outro estudo similar? Ou pensar em avaliar esses dados historicamente, quando a PRIP era SAS? Ou ainda, qual proposta temos para estruturar um conjunto residencial com participação democrática dos moradores?
Enfim, nos debruçarmos sobre essas questões em conjunto com os moradores permite avançarmos na leitura de que o CRUSP não está apartado da Universidade e tão pouco está apartado da política de permanência, sendo portanto de interesse daqueles estudantes que recebem o auxílio permanência, das entidades representativas e da comunidade uspiana. Ora, os estudantes do CRUSP estão também presentes nas Unidades, podem compor as gestões dos CAs, se candidatar a RDs, de modo que esses espaços devem confluir em uma atuação conjunta, coesa, ao invés de se portarem como contradições, imprimindo uma característica de que ou é morador, ou é estudante da Unidade.
Ainda mais, se tivermos em vista os diversos casos de assédio ao redor do campus, que têm vindo à tona neste período de dois meses, percebemos que as problemáticas de segurança que pulsam no CRUSP tem paralelos com problemáticas ao redor do campus. As demandas que vemos emergir agora são, na verdade, sintomas de um mesmo processo de desmonte e privatização da Universidade de São Paulo - não algo pontual de cada local isoladamente.
Tal fragmentação, que separa as mobilizações nas unidades das mobilizações no CRUSP, age como força contrária ao fortalecimento da luta e mina as possibilidades de avanço do movimento estudantil. Em um campus tão disperso como a cidade universitária, e que vimos as desvantagens durante a greve, abrir mão dessa potencialidade de fortalecimento de laços entre as Unidades na pauta de segurança, permanência e moradia estudantil é jogar fora o potencial combativo do movimento estudantil.