O texto a seguir foi enviado via forms de contato do BoletIME e não necessariamente condiz com a opinião do corpo editorial.
Olá, leitores do BoletIME! Após acompanhar as diversas edições desse boletim e os ainda mais diversos pedidos de participação dos leitores, forcei-me a tentar escrever parte da minha experiência durante o primeiro semestre neste que é conhecido por alguns como instituto IME. Por mais que a semana de recepção tenha trazido palestras e guias sobre como sobreviver ao primeiro semestre, ainda sinto que jamais poderíamos estar preparados para a experiência verdadeira. Um dos maiores desafios ao tentar redigi-la é conciliar um texto suficientemente descritivo para fazer valer a leitura, mas, ao mesmo tempo, nebuloso para que todos possam corresponder em certo grau.
Gosto de separar o período baseado nos entraves ou desafios que o marcaram. Em primeiro lugar, vem a angustiante burocracia que precede (e infelizmente sucede) a matrícula. Éramos dezenas de pessoas com alguns sentimentos em comum: euforia e, possivelmente, raiva. Como poderia a USP, aquela universidade, demorar tanto para enviar um simples e-mail, será que eu seria justamente o premiado e o esquecido, por que dividiram em levas? Não preciso criar grande tensão porque todos sabemos o desfecho extremamente anticlimático, não houve chamado do herói, apenas uma segunda chamada.
Finalizados os trâmites legais, era chegada a hora de conhecer os nossos professores e, efetivamente, ter aulas. Por mais que eu queria muito dedicar uma parágrafo, no mínimo, para cada disciplina, sinto que o propósito de correspondência desse texto seria perdido em meio a tantas experiências estritamente individuais. Deixo, portanto, algumas percepções gerais: o espectro dos professores é capaz de deixar qualquer um de queixo caído. Vão do céu ao inferno em cada um dos aspectos que uma pessoa pode imaginar, o que nos proporciona aulas celestiais ou lampejos do apocalipse.
O terceiro grande marco (que pode ser dividido em dois ou três a depender da pessoa ou turma) foram as provas, ou apenas “P” para os mais íntimos. Apesar dos extensos e frequentes avisos que foram dados a todos logo no começo do ano, preciso fazer uma confissão: não levei todos tão a sério, achei que fossem um preciosismo ou uma tentativa de nos colocar medo e forçosamente estudarmos. Considerando que, apesar dos diferentes cursos, compartilhamos o instituto, mais uma vez sinto que não é efetivamente necessário que eu compartilhe mais este desfecho.
Sinto que seria injusto terminar o texto sem apresentar as partes mais divertidas do IME. Quem diria que um instituto de exatas teria tantas modalidades esportivas? Quem diria que haveria um centro acadêmico com tantas pautas políticas? Sempre associei o mundinho fechado das exatas a uma visão pouco humana do mundo (com direito a trocadilhos), mas vivenciar o IME de dentro foi uma das melhores quebras de expectativas da minha vida!