Sobre o Programa Escola Cívico-Militar de Tarcísio

Por CAMat
06 de julho de 2024

Na última quinta-feira, dia 4 de julho, aconteceu em frente ao Teatro Municipal de São Paulo, às 9h da manhã, um movimentado ato contra o Programa Cívico-Militar das escolas estaduais de São Paulo, no qual estivemos presente ao lado de secundaristas e de forças diversas. O Programa apresentou, inicialmente, no dia 26 de junho, uma lista de mais de 1700 escolas espalhadas pelo Estado elegíveis ao Programa. Nisso, as direções das instituições tiveram apenas um período de 2 dias - até última sexta-feira, dia 28 - para decidir a adesão, saindo semana que vem uma segunda lista das escolas que efetivamente aderiram ao modelo.

Antecedendo ao evento de ontem, o Projeto havia sido votado no fim do mês de maio sob forte repressão e violência policial na ALESP, resultando na prisão de sete estudantes e ferimentos graves em um estudante que ali exerciam seus direitos de protestar contra o Projeto sucateador da educação - um prelúdio que deve colocar todos em alerta! -. Sob a falsa alegação de desenvolver “valores cidadãos, como civismo, dedicação, excelência, honestidade e respeito”, além da óbvia inserção da Polícia Militar nas nossas instituições de ensino e da repressão à classe trabalhadora imposta até no corte de cabelo dos estudantes, a implementação do modelo cívico-militar alega contratação de PMs da reserva exclusivamente para escolas num valor de até R$ 7,2 milhões ao ano. Isso representa, na prática, desvio de recursos da educação para as Forças Armadas e terceirizações privadas que, em conjunto a uma série de ataques à educação como a implementação de IAs no ensino, atuam num movimento de sucateamento próprio da educação. O Programa, assim, revela-se como um grande esquema de desvio de dinheiro que, ao mesmo tempo, consegue como resultado a inibição do ensino verdadeiramente crítico e o desmonte da educação.

Assumir que os problemas das nossas escolas são de ordem moral - como o projeto de escolas cívico-militares aponta - deve servir de alerta para toda classe trabalhadora, uma vez que atua de maneira cínica a colocar a culpa de problemas sistêmicos e estruturais do projeto contínuo de desmonte da educação brasileira nos nossos alunos, que “são indisciplinados e não respeitam a bandeira”. Ainda, com a entrada e acesso direto de militares nas escolas, cria-se um ambiente propício para criação de uma grande base política para a extrema-direita, rodeado pela normalização e prática do mesmo militarismo que um dia golpeou o próprio Estado brasileiro.

Para além de pressionar e lutar para a não-adesão de mais escolas ao modelo, é de suma importância, também, que neste momento sejam pensadas estratégias e táticas - greves gerais, atos, piquetes e afins - para o que fazer em escolas que no fim aderirem ao modelo cívico-militar quando sair a lista de escolas aderentes na semana que vem. Ainda, é de dever daqueles que compreendem o quão crítico é este ataque à educação conversar com seus pares não-engajados a se envolver com a construção.

Nisso, uma vez entendendo que a luta em prol de um ensino público, de qualidade e voltado aos interesses da classe trabalhadora é também responsabilidade de nós, estudantes de Licenciatura ou Bacharelado, o Centro Acadêmico da Matemática, Estatística e Computação, para além de estritamente opositório ao ataque, entender que precisa tomar uma posição firme de apoio e participação neste momento crucial à nossa educação organizando rodas de conversa, idas aos atos e disseminando informativos sobre a situação.

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