Na manhã do dia 28 de junho, uma estudante e diretora do CAMat, flagrou uma pessoa arrancando os cartazes afixados nas portas dos banheiros do IME. Quando abordada, a pessoa se recusou a devolver o cartaz e fugiu do local. Nesse contexto, denunciamos o caráter transfóbico do ato, uma vez que ficou nítido a intencionalidade de negar a existência de pessoas trans e dos seus direitos. A tranquilidade com a qual a pessoa, durante o dia e na frente de todos, arrancou os cartazes e se negou a devolvê-los, além do sentimento preconceituoso explícito, revela também uma certeza de impunidade por parte do praticante do ato, acendendo um sinal de alerta para todos nós.
É sabido que não é a primeira vez que esse tipo de ataque transfóbico acontece no IME, e eles não podem ser tolerados.
Os cartazes em questão existem para reforçar que as pessoas trans têm o direito de utilizar o banheiro de acordo com a identificação de gênero, sendo então também uma forma de transmitir segurança. Vale ressaltar, porém, que os cartazes em papel, como estavam, eram temporários. A diretoria do IME já havia se comprometido há mais de um ano em instalar placas definitivas, mas que até então não foram feitas. Assim, logo após o ocorrido, o CAMat comunicou a direção do Instituto, cobrou as medidas cabíveis e também reiterou a necessidade de transparência quanto à instalação das placas definitivas.
É importante frisar que a instalação das placas definitivas também não é suficiente, ainda que sejam uma sinalização necessária de apoio. Não basta que placas melindrem! Um espaço livre de opressão só pode ser construído com a mobilização da comunidade IMEana, em especial dos estudantes, em prol disto; e a construção de uma comunidade diversa e saudável vai além do próprio IME, já que não é apenas aqui que a transfobia se manifesta.
Em tempo recente, ainda sob o governo de conciliação, temos visto o avanço de políticas da extrema-direita: como são os casos da aprovação do novo modelo de RG, que mantém o nome morto no documento, e a aprovação do caráter de urgência para a tramitação do projeto de lei (PL) 1904, que equipara a homicídio o ato de abortar e aplica pena de até 20 anos de encarceramento para aqueles que abortarem. Necessário ressaltar que aqueles que gestam não são apenas as mulheres, sendo as mobilizações pela legalização do aborto um momento oportuno para combatermos a linha transfóbica do movimento feminista radical, que ainda se faz presente em nossos espaços.
Essa nota, para além de um posicionamento, é um chamado para a comunidade IMEana em prol de sermos mais incisivos e firmes na construção desse espaço acolhedor que almejamos. Compreendo que isso requer não só mobilizarmos ações no IME, e sim estarmos ativos nas lutas estaduais e nacionais em defesa dos direitos das pessoas trans.