O Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (CRUSP) serve além de alojamento para alunos de baixa renda da USP, mas também é um símbolo da resistência e luta estudantil. Em 1963 o CRUSP nasce com o objetivo de abrigar os atletas dos jogos Pan Americanos e, após os jogos, abrigar os estudantes da USP. Logo de início o CRUSP é palco das lutas estudantis, quando o reitor Luiz Antônio da Gama e Silva não permitiu a liberação para os estudantes morarem, então 30 apartamentos foram ocupados por estudantes em forma de protesto, dando início à resistência estudantil no CRUSP. Em 1967 o CRUSP já era o centro do movimento estudantil de São Paulo, com seus moradores participando avidamente da luta contra a ditadura militar.

Crusp em meados da década de 60.
Fonte: Arquivo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP
Foi em 17 de dezembro de 1968, pouco depois da instituição do AI-5, que tropas do exército invadiram e ocuparam o CRUSP, fecharam a Banca da Cultura, argumentando que a livraria fazia parte do movimento estudantil, e prenderam entre 800 a 1000 estudantes. Após a ocupação dos militares, houve uma exposição dos itens “subversivos” apreendidos no CRUSP, livros sobre a reforma agrária foram expostos no objetivo de manchar a imagem dos moradores, como baderneiros comunistas. Para continuar a série de violências e opressões, 4 meses após a invasão começa mais uma caça aos docentes da USP.
Com o tempo, apesar da problemática década de 70, o CRUSP foi reaberto, recebendo apenas estudantes da pós-graduação e, eventualmente, os alunos de graduação que precisavam de residência estudantil.

Em cima: tanque do exército durante a invasão do CRUSP em 68; em baixo: trincheira formada por moradores durante a invasão do exército em 68. Fonte: jornal da USP